Curso totalmente gratuito sobre as maravilhosas
catequeses de João Paulo II sobre o amor humano e seus vários aspectos: a relação do homem e da mulher, a castidade, o significado esponsal do corpo humano, a natureza e missão da família, o matrimônio, o celibato, a luta espiritual do coração do homem, a linguagem profética do corpo humano, o amor conjugal, entre muitos outros assuntos muito importantes para chegarmos mais perto daquilo que Deus planejou para todos nós, que é a nossa própria felicidade. O curso (que possuí vídeo aulas e apostilas), está disponível no site: http://www.eadseculo21.org (Módulo 1) e http://www.eadseculo21.org (Módulo 2)
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
CURSO DE TEOLOGIA DO CORPO.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
A dor de ter ofendido a Deus nas santas almas.
Sta Teresa D'Avila, Doutora da Igreja
Parecer-vos-á, irmãs, que estas almas a quem o Senhor se comunica tão particularmente estarão já tão seguras de que hão-de gozá-l'O para sempre, que não terão que temer nem chorar seus pecados; e será um engano muito grande, porque a dor dos pecados cresce tanto mais quanto mais se recebe de nosso Deus. E tenho para mim que esta pena não nos deixará, até que estejamos onde nenhuma coisa no-la possa dar.
É verdade que umas vezes aperta mais que outras, e também é de diferente maneira; porque não se lembra da pena que há-de ter por eles, mas sim de como foi tão ingrata a Quem tanto deve, e a Quem tanto merece ser servido; porque, nestas grandezas que se lhe comunicam, entende muito mais a de Deus. Espanta-se de como foi tão atrevida; chora o seu pouco respeito; parece-lhe coisa tão desatinada o seu desatino, que não acaba nunca de o lastimar, quando se lembra das coisas tão baixas pelas quais deixava uma tão grande Majestade. Muito mais se lembra disto do que das mercês recebidas, sendo elas tão grandes como as ditas e as que estão por dizer; parece que as leva um rio caudaloso e as traz a seu tempo; mas isto dos pecados estão como lodo, pois sempre parece que se avivam na memória e é bem grande cruz.
Sei de uma pessoa que, deixando de querer morrer para ver a Deus, o desejava para não sentir tão habitualmente a pena de quão desagradecida tinha sido a Quem tanto deveu sempre e havia de continuar a dever; e assim lhe parecia não poder haver ninguém cujas maldades pudessem chegar às suas, porque entendia que não haveria a quem Deus tanto tivesse sofrido e tantas mercês tivesse feito. No que toca a medo do inferno, nenhum têm. O de poderem vir a perder a Deus, às vezes aflige muito; mas é poucas vezes. Todo o seu temor é que não as deixe Deus de Sua mão e O venham a ofender, e se vejam em estado tão miserável como se viram em outros tempos, pois de sua própria pena ou glória não têm cuidado; e, se desejam não estar muito tempo no purgatório, é mais para não estarem ausentes de Deus, enquanto ali estiverem, do que pelas penas que hão-de passar.
Eu não teria por seguro, por favorecida que uma alma esteja de Deus, que ela se esquecesse de que nalgum tempo se viu em miserável estado; porque, embora seja coisa penosa, aproveita para muitas coisas. Talvez que, como eu tenho sido tão ruim, me pareça isto, e esta é a causa de o trazer sempre na memória; as que têm sido boas, não terão que sentir; embora sempre haja quebras enquanto vivemos neste corpo mortal. Para esta pena não é alívio nenhum pensar que Nosso Senhor já tem perdoados e esquecidos os pecados; antes acresce à pena ver tanta bondade e fazerem-se mercês a quem não merecia senão o inferno. Penso que foi este um grande martírio em São Pedro e na Madalena; porque, como tinham o amor tão acrescido e tinham recebido tantas mercês e tinham entendida a grandeza e a majestade de Deus, seria bem duro de sofrer, e com muito terno sentimento.
Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior
domingo, 17 de julho de 2011
As 5 vias da penitência por São João Crisóstomo.
São João Crisóstomo ensina-nos:
"Queres que cite as vias da penitência? São muitas, é certo; variadas e diferentes; mas todas levam ao céu:
PRIMEIRA VIA DA PENITÊNCIA: a reprovação dos pecados Sê tu o primeiro a dizer os teus pecados para seres justificado. O Profeta tão bem dizia: ‘Confessei contra mim mesmo a minha injustiça ao Senhor, e Ele perdoou a impiedade do meu coração’. Reprova também tu aquilo em que pecaste; basta isto ao Senhor para desculpar-te. Quem reprova aquilo em que pecou, custará mais a recair. Estimula o acusador interno, a tua consciência, para que não venhas a ter acusador lá adiante no tribunal do Senhor. Esta primeira, é ótima via de penitência.
SEGUNDA VIA DA PENITÊNCIA: o perdão das faltas do próximo Não guardemos lembrança das injúrias recebidas dos inimigos, dominemos a cólera, perdoemos as faltas dos companheiros. Esta segunda via não é nada inferior à primeira. Com esta via, aquilo que se cometeu contra o Senhor será perdoado. Eis outra expiação dos pecados. ‘Se perdoardes aos vossos devedores, também vos perdoará o vosso Pai celeste’.
TERCEIRA VIA DA PENITÊNCIA: a oração Nesta via, a oração deve ser muito ardente e bem feita; uma oração que brote do mais fundo do coração.
QUARTA VIA DA PENITÊNCIA: a esmola A esmola possui muita e poderosa força no caminho para a conversão e transformação do coração. Leva à prática da caridade e ao desprendimento dos bens e de si mesmo.
QUINTA VIA DA PENITÊNCIA: a humildade Ser modesto no agir e humilde, não menos que tudo o mais, destrói os
pecados. Testemunha disto é o publicano que não podia dizer a seu favor nada feito com retidão, mas em vez disso ofereceu a humildade e depôs pesada carga de pecados.
Estão indicadas assim, as cinco vias da penitência. Não sejas preguiçoso, meu irmão, mas caminha todos os dias por elas. São fáceis e portanto, não podes nem sequer objetar a pobreza, pois ainda que pela indigência leves vida dura, renunciar à ira e mostrar humildade está em teu poder, bem como rezar assiduamente, condenar os teus pecados e perdoar os dos outros. Em parte alguma a pobreza é impedimento. O que digo aqui, naquela via de penitência que consiste em dar dinheiro (falo de esmola) ou em observar os mandamentos, será obstáculo à pobreza? A viúva que deu dois tostões já respondeu. Tendo, pois, aprendido o meio de curar as nossas chagas, usemos deste remédio. E com isso, recuperada a saúde, vamos com confiança à mesa sagrada e corramos gloriosos ao encontro de Cristo, Rei da glória; e alcançaremos os eternos bens, por graça, misericórdia e benignidade de nosso Senhor Jesus Cristo."
SEGUNDA VIA DA PENITÊNCIA: o perdão das faltas do próximo Não guardemos lembrança das injúrias recebidas dos inimigos, dominemos a cólera, perdoemos as faltas dos companheiros. Esta segunda via não é nada inferior à primeira. Com esta via, aquilo que se cometeu contra o Senhor será perdoado. Eis outra expiação dos pecados. ‘Se perdoardes aos vossos devedores, também vos perdoará o vosso Pai celeste’.
TERCEIRA VIA DA PENITÊNCIA: a oração Nesta via, a oração deve ser muito ardente e bem feita; uma oração que brote do mais fundo do coração.
QUARTA VIA DA PENITÊNCIA: a esmola A esmola possui muita e poderosa força no caminho para a conversão e transformação do coração. Leva à prática da caridade e ao desprendimento dos bens e de si mesmo.
QUINTA VIA DA PENITÊNCIA: a humildade Ser modesto no agir e humilde, não menos que tudo o mais, destrói os
pecados. Testemunha disto é o publicano que não podia dizer a seu favor nada feito com retidão, mas em vez disso ofereceu a humildade e depôs pesada carga de pecados.
Estão indicadas assim, as cinco vias da penitência. Não sejas preguiçoso, meu irmão, mas caminha todos os dias por elas. São fáceis e portanto, não podes nem sequer objetar a pobreza, pois ainda que pela indigência leves vida dura, renunciar à ira e mostrar humildade está em teu poder, bem como rezar assiduamente, condenar os teus pecados e perdoar os dos outros. Em parte alguma a pobreza é impedimento. O que digo aqui, naquela via de penitência que consiste em dar dinheiro (falo de esmola) ou em observar os mandamentos, será obstáculo à pobreza? A viúva que deu dois tostões já respondeu. Tendo, pois, aprendido o meio de curar as nossas chagas, usemos deste remédio. E com isso, recuperada a saúde, vamos com confiança à mesa sagrada e corramos gloriosos ao encontro de Cristo, Rei da glória; e alcançaremos os eternos bens, por graça, misericórdia e benignidade de nosso Senhor Jesus Cristo."
domingo, 27 de março de 2011
TIBIEZA - A FRIEZA ESPIRITUAL
AOS MORNOS CUSPO FORA DA MINHA BOCA
A TIBIEZA - A FRIEZA ESPIRITUAL
Aos mornos cuspo fora da minha boca..... Assim diz Jesus no livro do Apocalipse. Nós estamos num tempo de batalha final, onde podemos afirmar que pelo menos 90% de católicos ainda são tíbios, mornos, frouxos, apagados... todos ainda apegados ao mundo. Acham que nada tem a ver com eles, e imaginam - erradamente - que vão se livrar da Cruz. E hoje fazem de tudo para se livrar dela. Para que outros as carreguem.Os que têm vergonha de se expor em público em demonstrações de fé, destes Deus se envergonhará deles na hora da apresentação ao Pai. Está chegando o momento da decisão final. A qual dos senhores escolheremos?
Ninguém pode servir a dois senhores: odiará a um e amará ao outro; ou se apegará a um e desprezará o outro (Matth., VI, 24).
A exemplo de alguns Padres da Igreja, pode-se ver em Mamon, o falso deus sobre que fala Nosso Senhor, não apenas o dinheiro, mas também outros apegos terrestres, materiais, que entravam o progresso espiritual.
Quero-vos falar da tibieza, doença da alma muito comum – ela contagia a metade ou bem três quartos dos cristãos que estão em estado de graça; e tal é realmente terrível, já que é preciso crer nas palavras da Escritura:
Deus vomita os mornos de sua boca, i. é, ele os expulsa para longe de si, e por conseqüência, essas almas estão em grande perigo de cair no inferno eterno, caso não mudem de vida.
Ora, a tibieza, que afeta tanto os clérigos – i. é, os padres e os bispos – quanto os laicos, se encontra em três tipos de pessoas:
1) Em primeiro lugar, as que saíram duma má vida, em estado de pecado mortal, para retornar a uma vida normal, em estado de graça. Mas então, satisfeitas consigo mesmas, cessam os esforços e não querem mais se elevar...
2) Há aquelas que, depois de atingirem uma vida fervorosa, amiúde bem jovens, esfriam para uma vida de tibieza, de mediocridade. Deus vela para que não despenhem para muito baixo! É o caso de inúmeros religiosos, se se levar em conta as palavras da Imitação, e a experiência cotidiana!
3) Finalmente, há o caso dos cristãos que de natural são felizes: eles nunca buscaram se tornar melhores. Deve-se pois sacudir-lhes a indolência, o torpor – eles dormem!; mais das vezes, só de uma coisa precisam: um bom diretor espiritual, que lhes apontará os caminhos da vida perfeita.
Mas em que consiste esta terrível doença espiritual, ignorada por tantos cristãos, e contudo tão difundida? Quais são os sintomas, entre os “bons” cristãos?
Pode-se distinguir pelo menos dois:
1) Confissões e comunhões rotineiras; por vezes, mais e mais espaçadas. Orações rápidas e superficiais, sem concentração para pôr-se diante de Deus, para entrar em contato com ele. Sem oração diária, não há verdadeiros exames de consciência.
2) O cristão tíbio tenta evitar um pouco o pecado venial, mas conserva os “pecadilhos”; não se submete totalmente a Deus: quem é mundano, continua mundano; o amante dos bons vinhos e da boa vianda assim permanece; os intrigantes, os faladores continuam a cometer faltas contra a caridade, tranqüilamente...
Em suma, a tíbio vive ainda em estado de graça, mas de maneira lânguida, preguiçosa; deixa-se levar pelas emoções do momento, sejam elas a piedade, a cólera ou outra paixão qualquer. Ele sente o furor de viver... está satisfeito demais consigo.....
Convém distinguir duas fases da vida: a juventude e a madureza, ainda que no fundo as causas profundas sejam idênticas, não importa a idade.
1) Na juventude, há de se apontar sobretudo a dissipação e a imaginação, a dispersão.
A dissipação é natural, diria quase normal, entre os jovens, sobretudo em nossa época. Querem ver tudo, escutar tudo, conhecer tudo. Daí o prestígio do audiovisual, que favorece essa tendência natural.
Ela torna difícil o recolhimento, a oração concentrada, ambos necessários para o progresso na vida espiritual. Daí a sabedoria da Igreja ao instituir pequenos seminários, para permitir o melhor desenvolvimento, mais rápido e seguro, da alma das crianças. A imaginação é a segunda causa da tibieza: às vezes a emotividade ilude, e por vezes chega a enganar os diretores espirituais. A imaginação pode dar ares de profundidade a um padre que, em verdade, é distraído. Outras vezes, os jovens constroem ilusões sobre o porvir, sobre seus futuros triunfos. Não estando suficientemente maduros para se afastarem do ambiente e dominá-lo, muitos jovens se deixam dominar por ele, como a folha que o vento carrega; isso explica o sucesso das modas – as roupas, as músicas e outras mais.
Daí vem a tibieza religiosa, admitindo-se que ainda existam cristãos pios, pois que a vida do discípulo fervoroso do Cristo exige esforços, recolhimento, um certo distanciamento do mundo: muitos membros da Ação Católica não entenderam isso, e então, em vez de converter o próximo, pouco a pouco converteram-se ao mundo, por assim dizer; um bom número dentre eles se tornaram marxistas. São os cristãos camaleões.
2) Na madureza, é preciso assinalar como causa especial da tibieza a ambição e a vida muito atarefada.
Amiúde elevam a ambição ao posto de virtude, por causa da propaganda comercial e dos meios de comunicação. Hoje, é inadmissível que um homem aceite seu estado de vida: ele deve subir na hierarquia social, e para isso, ganhar mais. Neste passo, deparamo-nos com a proibição do Cristo:
E tanto pior que desta ambição excessiva e materialista decorre uma vida muito atarefada: quantas vezes observei eu na Argentina pessoas que batalhavam em duas trincheiras diferentes: um comércio ou representação, e mais um emprego na estrada de ferro ou um cargo de professor...
Muitos argentinos só têm uma ambição: ganhar mais, ter sucesso, possuir um carro, que mais? As preocupações espirituais não ocupam mais um lugar de vulto em suas vidas – ainda que direita e honesta – muito apegadas a esta terra.Poderíamos ainda continuar por bastante tempo o estudo das causas da tibieza entre cristãos pios: o orgulho, a falta da verdadeira caridade, i. é, o egoísmo etc., tudo leva à tibieza.
Os remédios também são fáceis de se indicar, mas menos fáceis de se tomar, pois:
“O Reino de Deus padece violência, e são os violentos que entram nele”. Antes do mais, é forçoso organizar a vida de piedade, adotar uma norma de vida, hábitos rigorosos, se não, a vida dependerá do capricho do momento.
Por exemplo, a oração de joelhos, de manhã e à noite, com duração suficiente, respeitosa, séria, devota. É dizer que existem cristãos, que se tem na conta de bons cristãos, e não oram regularmente nem de manhã nem à noite! Contudo, isso é o mínimo que se exige... são com certeza tíbios...
O exame de consciência deve sempre estar presente na vida de piedade dum cristão fervoroso, a cada noite; o rosário, a cada dia; e se possível for, uns quinze minutos ou meia hora de meditação ou oração; ou então a leitura cotidiana de algumas passagens do Novo Testamento ou dum livro de espiritualidade.
Em seguida, deve-se alimentar da Santa Missa, e da Santa Comunhão e do sacramento da Penitência recebidos pelo menos uma vez por mês; ainda aqui, haveria muito a se falar da tibieza inconsciente de muitos cristãos tradicionalistas, que se contentam com duas ou três confissões por ano.
Há mister de se preparar para a Santa Missa, o que é dizer chegar antes de seu começo. Neste ponto, parece-me que os católicos ingleses são mais fervorosos; nunca os vi atrasados... enquanto entre nós o atraso é habitual, prova inconteste de tibieza.
Geralmente, um bom retiro é o remédio definitivo para essa doença, um que dure uns cinco dias...
Narra-se o fato seguinte da vida de São Bernardo: uma noite, estava ele no coro, recitando o ofício divino com seus monges, quando de repente vislumbrou ao lado de cada um deles um anjo, cada qual a escrever num livro de registro. Alguns escreviam em letras d’ouro; outros, com letras de prata; outros ainda, só com tinta. Havia também os que nada escreviam.
Deus, nesta visão, quis comunicar a São Bernardo a diferença de fervor entre os vários monges: os fervorosos e os menos fervorosos; os que tão-só pronunciavam as palavras, sem devoção; a última classe era a dos preguiçosos, que não oravam: estavam de corpo presente, mas a alma viajava.
A lição é evidente para todos. Como oramos? Como nos aproximamos dos sacramentos? Como assistimos ao Santo Sacrifício da Missa? Se o puderam transformar e distorcer tão a fundo, a ponto de não mais denominá-lo de Sacrifício, mas uma eucaristia, uma refeição, como queria Lutero, não foi por causa de nossa tibieza passada, da tibieza de milhões e milhões de cristãos?
Estamos a imitar aquela senhora que se lastimava com Monsenhor de la Motte, bispo de Amiens, da duração excessiva da missa paroquial. Respondeu-lhe o prelado:
“Senhora, se achais a missa excessivamente longa, talvez seja a vossa piedade excessivamente curta.”
Que não se repita conosco o mesmo, se quisermos crescer na vida espiritual, no amor de Deus que pode, por si só, contentar nossa alma plenamente, neste e no outro mundo
Ninguém pode servir a dois senhores: odiará a um e amará ao outro; ou se apegará a um e desprezará o outro (Matth., VI, 24).
A exemplo de alguns Padres da Igreja, pode-se ver em Mamon, o falso deus sobre que fala Nosso Senhor, não apenas o dinheiro, mas também outros apegos terrestres, materiais, que entravam o progresso espiritual.
Quero-vos falar da tibieza, doença da alma muito comum – ela contagia a metade ou bem três quartos dos cristãos que estão em estado de graça; e tal é realmente terrível, já que é preciso crer nas palavras da Escritura:
Deus vomita os mornos de sua boca, i. é, ele os expulsa para longe de si, e por conseqüência, essas almas estão em grande perigo de cair no inferno eterno, caso não mudem de vida.
Ora, a tibieza, que afeta tanto os clérigos – i. é, os padres e os bispos – quanto os laicos, se encontra em três tipos de pessoas:
1) Em primeiro lugar, as que saíram duma má vida, em estado de pecado mortal, para retornar a uma vida normal, em estado de graça. Mas então, satisfeitas consigo mesmas, cessam os esforços e não querem mais se elevar...
2) Há aquelas que, depois de atingirem uma vida fervorosa, amiúde bem jovens, esfriam para uma vida de tibieza, de mediocridade. Deus vela para que não despenhem para muito baixo! É o caso de inúmeros religiosos, se se levar em conta as palavras da Imitação, e a experiência cotidiana!
3) Finalmente, há o caso dos cristãos que de natural são felizes: eles nunca buscaram se tornar melhores. Deve-se pois sacudir-lhes a indolência, o torpor – eles dormem!; mais das vezes, só de uma coisa precisam: um bom diretor espiritual, que lhes apontará os caminhos da vida perfeita.
Mas em que consiste esta terrível doença espiritual, ignorada por tantos cristãos, e contudo tão difundida? Quais são os sintomas, entre os “bons” cristãos?
Pode-se distinguir pelo menos dois:
1) Confissões e comunhões rotineiras; por vezes, mais e mais espaçadas. Orações rápidas e superficiais, sem concentração para pôr-se diante de Deus, para entrar em contato com ele. Sem oração diária, não há verdadeiros exames de consciência.
2) O cristão tíbio tenta evitar um pouco o pecado venial, mas conserva os “pecadilhos”; não se submete totalmente a Deus: quem é mundano, continua mundano; o amante dos bons vinhos e da boa vianda assim permanece; os intrigantes, os faladores continuam a cometer faltas contra a caridade, tranqüilamente...
Em suma, a tíbio vive ainda em estado de graça, mas de maneira lânguida, preguiçosa; deixa-se levar pelas emoções do momento, sejam elas a piedade, a cólera ou outra paixão qualquer. Ele sente o furor de viver... está satisfeito demais consigo.....
Convém distinguir duas fases da vida: a juventude e a madureza, ainda que no fundo as causas profundas sejam idênticas, não importa a idade.
1) Na juventude, há de se apontar sobretudo a dissipação e a imaginação, a dispersão.
A dissipação é natural, diria quase normal, entre os jovens, sobretudo em nossa época. Querem ver tudo, escutar tudo, conhecer tudo. Daí o prestígio do audiovisual, que favorece essa tendência natural.
Ela torna difícil o recolhimento, a oração concentrada, ambos necessários para o progresso na vida espiritual. Daí a sabedoria da Igreja ao instituir pequenos seminários, para permitir o melhor desenvolvimento, mais rápido e seguro, da alma das crianças. A imaginação é a segunda causa da tibieza: às vezes a emotividade ilude, e por vezes chega a enganar os diretores espirituais. A imaginação pode dar ares de profundidade a um padre que, em verdade, é distraído. Outras vezes, os jovens constroem ilusões sobre o porvir, sobre seus futuros triunfos. Não estando suficientemente maduros para se afastarem do ambiente e dominá-lo, muitos jovens se deixam dominar por ele, como a folha que o vento carrega; isso explica o sucesso das modas – as roupas, as músicas e outras mais.
Daí vem a tibieza religiosa, admitindo-se que ainda existam cristãos pios, pois que a vida do discípulo fervoroso do Cristo exige esforços, recolhimento, um certo distanciamento do mundo: muitos membros da Ação Católica não entenderam isso, e então, em vez de converter o próximo, pouco a pouco converteram-se ao mundo, por assim dizer; um bom número dentre eles se tornaram marxistas. São os cristãos camaleões.
2) Na madureza, é preciso assinalar como causa especial da tibieza a ambição e a vida muito atarefada.
Amiúde elevam a ambição ao posto de virtude, por causa da propaganda comercial e dos meios de comunicação. Hoje, é inadmissível que um homem aceite seu estado de vida: ele deve subir na hierarquia social, e para isso, ganhar mais. Neste passo, deparamo-nos com a proibição do Cristo:
E tanto pior que desta ambição excessiva e materialista decorre uma vida muito atarefada: quantas vezes observei eu na Argentina pessoas que batalhavam em duas trincheiras diferentes: um comércio ou representação, e mais um emprego na estrada de ferro ou um cargo de professor...
Muitos argentinos só têm uma ambição: ganhar mais, ter sucesso, possuir um carro, que mais? As preocupações espirituais não ocupam mais um lugar de vulto em suas vidas – ainda que direita e honesta – muito apegadas a esta terra.Poderíamos ainda continuar por bastante tempo o estudo das causas da tibieza entre cristãos pios: o orgulho, a falta da verdadeira caridade, i. é, o egoísmo etc., tudo leva à tibieza.
Os remédios também são fáceis de se indicar, mas menos fáceis de se tomar, pois:
“O Reino de Deus padece violência, e são os violentos que entram nele”. Antes do mais, é forçoso organizar a vida de piedade, adotar uma norma de vida, hábitos rigorosos, se não, a vida dependerá do capricho do momento.
Por exemplo, a oração de joelhos, de manhã e à noite, com duração suficiente, respeitosa, séria, devota. É dizer que existem cristãos, que se tem na conta de bons cristãos, e não oram regularmente nem de manhã nem à noite! Contudo, isso é o mínimo que se exige... são com certeza tíbios...
O exame de consciência deve sempre estar presente na vida de piedade dum cristão fervoroso, a cada noite; o rosário, a cada dia; e se possível for, uns quinze minutos ou meia hora de meditação ou oração; ou então a leitura cotidiana de algumas passagens do Novo Testamento ou dum livro de espiritualidade.
Em seguida, deve-se alimentar da Santa Missa, e da Santa Comunhão e do sacramento da Penitência recebidos pelo menos uma vez por mês; ainda aqui, haveria muito a se falar da tibieza inconsciente de muitos cristãos tradicionalistas, que se contentam com duas ou três confissões por ano.
Há mister de se preparar para a Santa Missa, o que é dizer chegar antes de seu começo. Neste ponto, parece-me que os católicos ingleses são mais fervorosos; nunca os vi atrasados... enquanto entre nós o atraso é habitual, prova inconteste de tibieza.
Geralmente, um bom retiro é o remédio definitivo para essa doença, um que dure uns cinco dias...
Narra-se o fato seguinte da vida de São Bernardo: uma noite, estava ele no coro, recitando o ofício divino com seus monges, quando de repente vislumbrou ao lado de cada um deles um anjo, cada qual a escrever num livro de registro. Alguns escreviam em letras d’ouro; outros, com letras de prata; outros ainda, só com tinta. Havia também os que nada escreviam.
Deus, nesta visão, quis comunicar a São Bernardo a diferença de fervor entre os vários monges: os fervorosos e os menos fervorosos; os que tão-só pronunciavam as palavras, sem devoção; a última classe era a dos preguiçosos, que não oravam: estavam de corpo presente, mas a alma viajava.
A lição é evidente para todos. Como oramos? Como nos aproximamos dos sacramentos? Como assistimos ao Santo Sacrifício da Missa? Se o puderam transformar e distorcer tão a fundo, a ponto de não mais denominá-lo de Sacrifício, mas uma eucaristia, uma refeição, como queria Lutero, não foi por causa de nossa tibieza passada, da tibieza de milhões e milhões de cristãos?
Estamos a imitar aquela senhora que se lastimava com Monsenhor de la Motte, bispo de Amiens, da duração excessiva da missa paroquial. Respondeu-lhe o prelado:
“Senhora, se achais a missa excessivamente longa, talvez seja a vossa piedade excessivamente curta.”
Que não se repita conosco o mesmo, se quisermos crescer na vida espiritual, no amor de Deus que pode, por si só, contentar nossa alma plenamente, neste e no outro mundo
“Passei nesse mar tempestuoso quase vinte anos, ora caindo ora levantando. Mas levantava-me mal, pois tornava a cair. Tinha tão pouca perfeição que, por assim dizer, nenhuma conta fazia de pecados veniais. Se temia os mortais não era a ponto de me afastar dos perigos. Sei dizer que é uma das vidas mais penosas que se possa imaginar. Nem me alegrava em Deus, nem achava felicidade no mundo. Em meio aos contentamentos mundanos, a lembrança do que devia a Deus me atormentava. Quando estava com Deus, perturbavam-me as afeições do mundo
Com o auxílio da graça, é possível sair da tibieza e passarmos da condição de frios e temerosos a fervorosos no Espírito!"
SANTA TEREZA DE JESUS , VIDA 8,2
Com o auxílio da graça, é possível sair da tibieza e passarmos da condição de frios e temerosos a fervorosos no Espírito!"
SANTA TEREZA DE JESUS , VIDA 8,2
(Fonte:http://nossasenhorademedjugorje.blogspot.com/2010/11/liturgia-diaria-06112010-tibieza-frieza.html)
Estado miserável dos que recaem no pecado
Estado miserável dos que recaem no pecado
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Et fiunt novissima hominis illius peiora prioribus ― «E o último estado daquele homem virá a ser pior do que o primeiro» (Lc 11, 26).
Sumário. Meu irmão, já que resolveste dar-te todo a Deus, e já o executaste, não creias que as tentações tenham terminado. Antes, mais do que nunca, prepara-te para travar combate com o demônio, que, como diz Jesus Cristo, buscando repouso e não o achando, redobra os esforços para tornar a entrar na alma donde foi expulso. Desgraçado de quem torna a cair depois de ser levantado! Irá enfraquecendo cada vez mais; Deus retirará a sua mão com as graças; e assim o fim de tal homem será pior do que o princípio.
I. Meu irmão, já que resolveste dar-te todo a Deus, e assim o executaste, não acrediteis que se tenham acabado as tentações. Escuta o que te diz Jesus Cristo no Evangelho de hoje: «Quando o espírito imundo saiu do homem, anda por lugares desertos, buscando repouso; e não a achando, diz: Voltarei para a casa donde saí. E quando chega, acha-a varrida e adornada. Vai então, e toma consigo outro sete espírito piores do que ele, e, entrando na casa, fazem nela habitação. E o último estado daquele homem virá a ser pior do que o primeiro».
Com isto o Senhor nos quer dizer que, quanto mais uma alma procura unir-se a Deus e servi-lo, tanto mais contra ele se enfurece o inimigo, e procura entrar na alma donde foi desterrado. Se o consegue, não entra mais sozinho, mas traz companheiros consigo, para melhor se aquartelar, e assim a segunda ruína da mísera alma será pior do que a primeira.
Diz Santo Tomás que todo o pecado, ainda que tenha sido perdoado, deixa sempre a ferida causada pela culpa. Se portanto se junta outra ferida à antiga, fica a alma tão enfraquecida, que para se levantar precisará de uma graça especial. Por outra parte, Deus não concederá facilmente semelhante graça a um ingrato, que, depois de ser chamado com tão grande amor, e admitido à sua amizade, depois de assentar-se à Mesa eucarística para se alimentar com o Corpo sagrado de Jesus, esquecendo-se de todas estas misericórdias divinas, se revolta contra ele e lhe prefere o demônio. Ah! o Senhor fica em extremo sensibilizado com tamanha ingratidão, e por isso: Fiunt novissima hominis illius peiora prioribus ― «O último estado daquele homem virá a ser pior do que o primeiro».
II. Ai daquele que, sendo amigo de Deus e tendo recebido muitas graças, torna a cair e se declarar seu inimigo e escravo do demônio! ― Irmão meu, afim de que te não suceda tamanha desgraça, esforça-te de toda a maneira por ficares constante na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a tentação (Eclo 2, 1). Examina novamente a tua consciência; estuda todas as tuas paixões, especialmente a que no passado tenha sido a tua paixão dominante. Quando sentires que as inclinações más tornam a brotar em tua alma, procura abatê-las depressa pelos meios que o teu confessor te indicar, antes que ganhem força; no caso contrário serão os teus mais formidáveis inimigos.
A arma principal, porém, de que te deves servir, é a oração, porque o espírito imundo é um campeão armado, mais robusto do que tu, e que além de uma longa experiência tem a inteligência e a força de anjo. Numa palavra, lembra-te que quem na tentação ora e se recomenda a Deus, certamente será vencedor; e quem não ora, será vencido e se condenará.
Ó Jesus, meu Redentor, pelos merecimentos de vosso sangue espero que já me haveis perdoado as ofensas que Vos fiz, e que irei agradecer-Vos eternamente no paraíso. Vejo que no passado caí e recaí miseravelmente, porque me descuidei de recorrer a Vós. Agora peço-Vos a santa perseverança e proponho pedi-la sempre, especialmente quando me vir tentado. Mas de que me valerá esta minha resolução, se Vós não me derdes a força para cumpri-la? Rogo-Vos pelos merecimentos de vossa paixão, me concedais a graça de recorrer a Vós em todas as minhas necessidades. ― «Dignai-Vos, ó Deus todo-poderoso, atender às minhas humildes súplicas, e estender em minha defesa o braço da vossa majestade»[1]. Fazei-o pelo amor de vossa e minha queria Mãe Maria. (*III 431)
[1] Or. Dom. curr.
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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 337-339.
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